Pânico e morte

Postado por Matheus Tonon - -


Quando escondes o rosto, entram em pânico; quando lhes retiras o fôlego, morrem e voltam ao pó. (Sl 104.29.)

A dependência de Deus é de suma importância. Deveria ser lembrada e levada a sério sempre. Não só quando todos os recursos falham. Não só quando todos os “jeitinhos” se tornam ineficientes. Não só quando todos os esconderijos desaparecem do mapa.

O salmista é muito categórico a esse respeito. Ele não tem a menor dúvida de que, quando Deus esconde o seu rosto, todos “entram em pânico” e, quando Deus retira deles o seu fôlego (ou quando lhes corta a respiração), todos “morrem e voltam ao pó” (Sl 104.29).


Não poderia ser de outra forma, tal a nossa dependência de Deus, pois “nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17.28). Jó estava tão certo de que a continuação de sua vida dependia exclusivamente de Deus que, quando quis morrer, desejou que Ele “soltasse a sua mão” e o suprimisse (Jó 6.9). Enquanto alguns não acreditam no controle pessoal de Deus sobre tudo e sobre todos, sobre a vida e sobre a morte, outros preferem fazer uso dessa verdade para terem a liberdade de suplicar: “Ó meu Deus, não me leves no meio dos meus dias”(Sl 102.24).


Sem o rosto de Deus voltado para nós há pânico e na ausência daquele seu sopro inicial (Gn 2.7) há morte. Na prática, não há muita diferença entre pânico e morte. Aquele elimina a iniciativa e esta elimina a vida.


Não se pode substituir a autoridade de Deus pela autoridade do destino. A autoridade de Deus não pára na morte. Já a autoridade do destino é fria e nada mais tem a oferecer depois da morte. É esta, e não aquela, que gera o pânico maior. Ela continua depois da morte.


Retirado de Refeições Diárias Com o Sabor dos Salmos (Editora Ultimato, 2006)

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