Fui pra Jesus e fiquei pobre

Postado por Matheus Tonon - -


Por Luciano Bruno
“Vem pra Jesus, você que anda de transporte coletivo e Ele vai te dar um carro”.
“Vem pra Jesus você que paga aluguel e ele vai te dar uma casa própria.”
“Vem pra Jesus você que tem muitas dívidas e Ele vai pagar todas as suas contas” 
O discurso é conhecido. Algumas vezes acontece de modo mais descarado, outras de maneira  mais mansa, mas o fato é que líderes evangélicos (principalmente os tele evangelistas) gostam de associar a obra de Jesus com dinheiro. A massivamente difundida teologia da prosperidade prega um capitalismo porco, que gera uma meritocracia barata onde quanto mais você semeia [investe], mais bênçãos você alcançará [lucro]. Esquecem-se de que o evangelho nunca foi e jamais será o poder de Deus para favorecer o homem e sim para transformar o homem.

Se olharmos atentamente para o exemplo de Zaqueu, aprendemos algo que os pregadores da atualidade teriam asco de dizer: quando vamos para Jesus, a tendência é ficarmos pobres e não ricos! Durante o jantar em sua casa o publicano bate na taça, pede a palavra e declara: “Olha Senhor, estou dando metade dos meus bens aos pobres, e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais”. A Bíblia diz que Zaqueu era o maioral dos publicanos e, sendo assim, provavelmente deveria ter extorquido muita gente e perderia muito dinheiro em restituí-las em 4 vezes mais. Zaqueu ficaria pobre após essa ação! Mas é só depois dessa declaração que Jesus diz: “Hoje houve salvação nesta casa!”.

Não se trata de uma “ricofobia”. Mas há algo errado em pregações que dizem que Jesus está interessado em dar dinheiro ao homem. O dinheiro deve servir ao homem tão somente para praticar a justiça: dar a Deus o que é de Deus, dar a César o que é de César e por fim, não deixar que nenhum ser humano passe dificuldade, pois somos todos iguais perante  Deus. Francis Bacon disse que o dinheiro é como o esterco, só é bom se for espalhado.

Nossos seminários de finanças são patéticos. Ensinam dicas de como acumular para ter uma vida confortável, isso, é claro, depois de dar o dízimo e pagar os impostos. Nossos encontros são desprezíveis. Damos valor àqueles que chegam de carro importado ou com roupa cara. E desse modo somos levados a acreditar que quanto mais acumularmos, mais aceitação teremos. No livro “Por que tarda o pleno avivamento?”,  Leonard Ravenhill responde sucintamente a sua dúvida inicial: 
“Por que tarda o avivamento? A resposta é muito simples. Tarda porque muitos pregadores e evangelistas estão mais preocupados com dinheiro, fama e aceitação pessoal do que em levar os perdidos ao arrependimento”. 
Evangelho é Deus vindo em busca do homem através de Jesus. E esta busca de Deus é para nos salvar e nos ensinar a viver na prática do amor fraternal e da justiça. Não é para nos dar mais dinheiro para termos mais o que ostentar. No Reino de Deus não existe acúmulo, existe partilha. Não somos chamados a guardar o tesouro, mas a compartilha-lo. Para bem da verdade, no Reino de Deus não existe “meu”, é tudo “nosso”: “pai nosso”, “venha a nós”, “pão nosso”, “perdoa-nos” e assim por diante. Zaqueu ficou rico de verdade após dar todo o seu dinheiro. O seu valor não estava mais no dinheiro que acumulava, mas em Jesus Cristo, que o ensinava a prática da justiça e do amor fraternal.

Encerro com uma frase que nos leva a refletir. John Henry Jowett, pastor inglês que viveu no século XIX disse que 
“a verdadeira medida de nossa riqueza está em quanto valeríamos se perdêssemos todo nosso dinheiro”.
Que nosso valor não esteja em números em uma conta bancária, mas em frutos no nosso coração.

Retirado de MinhaVidaCristã

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