Entre sapos, príncipes e sessão da tarde

Postado por Matheus Tonon - -


Por Cida Pessoa

O amor é muito mais que esse sentimento colorido.

O tema parece confuso, mas confesso que ele me atrai. Talvez porque quando eu era criança sonhava em ser uma princesa e ainda hoje me pego com alguns vestígios da minha síndrome de princesa encantada.

As mulheres sonham em ser princesas sim, para isso basta observar as festas de casamento; a valsa; o dia de noiva; o vestido, claro como ia esquecer do principal: o vestido. Mas e o noivo?! Como todo bom príncipe deve ficar lindo, sorridente esperando no altar pelo momento do beijo que irá quebrar todo e qualquer encanto de infelicidade. Por favor não pensem que sou contra festas de casamento, claro que não, adoro festas de casamento pois elas me fazem pensar no real sentido do amor, algo que vai além do glamour, da comida e da decoração. O problema não é a festa, é o que acontece depois da festa, quando os convidados vão embora e os noivos vão para seu palácio real, é aí que surge o perigo de o príncipe virar um sapo e a princesa virar uma bruxa reclamona.


A mulher acaba achando que seu sonho de princesa não acabou e que seu homem perfeito deve trata-la com todas as honrarias devidas. E quando falo de honrarias me refiro a ter todos os caprichos atendidos.

Quem foi à menina que nunca sonhou em casar-se com um príncipe encantado, o homem de seus sonhos, perfeito cavalheiro disposto a vencer batalhas para conquistar seu coração? Talvez algumas levantem a mão e digam: Eu nunca sonhei tão alto!!! Mas até as moças mais realistas sonham em ter relacionamentos com uma pitada de comédia romântica, típica dos filmes de sessão da tarde.

Inclusive, por falar em filmes, foi comprovado por pesquisadores austríacos através de entrevistas realizadas com casais que os romances adocicados do cinema afetam nossos relacionamentos reais, uma vez que esperamos de nossos namorados a mesma atitude do galã do cinema. Acho que estamos pegando os parâmetros errados. Não é esse tipo de amor que devíamos buscar.

O problema é que na vida real as coisas são diferentes dos filmes, e o mais trágico é que parece que os filmes são pensados especialmente para nos deixar deprimidos. Quantas vezes não acabei de assistir um de meus romances preferidos e me vi lamentando por não viver um amor dessa forma, com saudades de algo que nunca vivi e me perguntando: Puxa! Porque será que não tenho tanta sorte como a linda moça da história? Porque não posso ser tão cortejada e conquistada dessa forma? E o melhor, porque não tenho três galãs diferentes brigando por meu amor? Segundos depois de minhas lamentações e desenganos eu lembro que é apenas ficção, mas por algum motivo estranho continuo com um sentimento deprimente de insatisfação pessoal e pior, decepcionada com quem está ao meu lado por não ser tão perfeito o quanto eu gostaria.

Somos acostumados, ou melhor, somos programados a acreditar no amor como um sentimento que nos faz delirar, sonhar acordados, cantarolar músicas românticas e outras coisas mais. O amor é visto como algo que faz você se sentir sempre muito animado, com uma dose extra de oxitocina percorrendo pela corrente sanguínea.  Mas se é assim, o que afinal o que o apóstolo Paulo estava pensando quando ele diz que o amor é sofredor? E minha sensação de bem estar constante onde fica? Não seria porque o amor é algo que procura a felicidade do outro ao invés de nossa própria? Não seria o amor um sentimento altruísta capaz de sofrer ao abrir mão de sua vontade pelo bem de outrem? Está me parecendo um pouco diferente de meus filmes prediletos, onde o “felizes para sempre” é o significado de amor.

O amor é muito mais que esse sentimento colorido. O amor é ação, é atitude, é decisão diária, é negação diária, é choro as vezes, é brigas outras vezes, é conta atrasada, é perda de emprego, é a perda da paixão arrebatadora e a reconquista dessa mesma paixão quantas vezes forem necessárias. Amor é repartir o que tem, e as vezes até o que não tem. É sentir a dor nos olhos do outro e se doer com isso também.

Nossas expectativas as vezes são tão altas que não nos permitem perceber a pessoa que temos ao nosso lado e preferimos sonhar com o que não existe, fantasiar com o que só existe nos filmes e em nossas mentes criativas. A verdade é que tamanho da nossa decepção é proporcional ao tamanho da nossa expectativa depositada no outro ou em nós mesmos. Somos seres imperfeitos se relacionando com outros seres imperfeitos e essa é a magia da coisa.

Precisamos entender que ser sapo também é legal, quero dizer, ser real também é legal, assumir que não é perfeito(a) e parar de cobrar perfeição do outro é libertador. O amor é querer o bem do outro, ainda que nós mulheres pareça que tenhamos sido injustiçadas por nosso amado não reparar em nosso corte novo, mesmo que tenhamos apenas aparado só as pontas; é sermos paciente em esperar as mudanças que talvez nunca cheguem; é substituir o sentimento de posse pelo sentimento de companheirismo; é sofrer a dor do outro e sofrer nossa própria dor quando temos que abrir mão de nossa razão em prol de manter a paz. O amor é aquilo que resta quando tudo mais acaba: dinheiro, beleza, juventude e sexo.  Amar apesar dos defeitos, fazer o outro feliz ao invés de buscar sua felicidade, porque é na felicidade do outro que você encontra sua própria felicidade. Mas isso está me parecendo até mais bonito e emocionante que uma comédia romântica na sessão da tarde.

É mais bonito sim, mas também é muito mais difícil, isso é também 1 Coríntios 13. A verdadeira face do amor.

Retirado de MinhaVidaCristã

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